Este blog se trata de um projeto desenvolvido por mim em parceria com estudantes e ex-estudantes de Licenciatura em Artes Visuais, artistas visuais, Professores de Artes Visuais formados pelo Curso de Licenciatura em Artes Visuais da Universidade Federal do Amapá. Aqui eu realizo e apresento proposições temáticas sobre ensino de arte que se tornam um desdobramento contínuo das ações de sala de aula pensadas em conjunto com meus estudantes.
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
sábado, 27 de abril de 2013
Arte contemporânea e Geografia
Como parte das programações do Núcleo de Fotografia
Contemporânea o Professor Alexandre Pereira do Curso de Artes da UNIFAP
apresentou no dia 26 de abril de 2013 suas pesquisas em performances e intervenções no Laboratório de
Ensino do Curso de Geografia. Tivemos como convidados alunos do Curso de
Geografia, Artes Visuais (turma 2010) e a artista e produtora cultural Natasha
Parlagreco, além dos professores Cristiana Nogueira, Pablo Fernadez e Eliene Cabral.
O professor falou das relações dos seus trabalhos com as
noções de fronteira, espaço, identidade e crítica social. Logo em seguida à
apresentação foi realizado um debate sobre os trabalhos apresentados.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Dia 72 no calendário spin: Fwd: versículos 84 a 108
Dia 72 no calendário spin: Fwd: versículos 84 a 108: Mensagem original De: jose carlos lima < ideiasemarmario@yahoo.com.br > Para: edson_barrus@ig.com.br Assunto: versículos 84 a 108 Envi...
Dia 69 no calendário spin: Fwd: versículos 84 a 108
Dia 69 no calendário spin: Fwd: versículos 84 a 108: Mensagem original De: jose carlos lima < ideiasemarmario@yahoo.com.br > Para: edson_barrus@ig.com.br Assunto: versículos 84 a 108 ...
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
IMAGENS E IDENTIDADES: DIVERSIDADE SEXUAL NO ENSINO DE ARTE MULTICULTURAL
Artigo Apresentado por mim no 21º ANPAP 2012 - Encontro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas.
Ficha catalográfica abaixo.
Também disponível no site do evento: http://www.anpap.org.br/anais/2012/pdf/simposio12/alexandre_pereira.pdf
IMAGENS E IDENTIDADES DIVERSIDADE SEXUAL NO ENSINO DE ARTE.pdf
Ficha Catalográfica
CATALOGAÇÃO NA FONTE
UERJ/REDE SIRIUS/BIBLIOTECA CEH/B
E56 Encontro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas
(21.: 2012 : Rio de Janeiro)
Anais do Encontro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas [Recurso eletrônico] / Sheila Cabo Geraldo, Luiz Cláudio da Costa (organizadores). – Rio de Janeiro: ANPAP, 2012.
1 CD-ROM: 4 ¾ pol.
ISSN 2175-8220 : (CD-ROM)
ISSN 2175-8212 : (versão eletrônica)
Encontro realizado nos dias 24 de setembro à 29 de setembro de 201, com o tema: "Vida e ficção: arte e fricção".
1. Artes plásticas – Rio de Janeiro - Congressos. 2. Artes plásticas – Pesquisa – Congressos. I. Geraldo, Sheila Cabo. II. Costa, Luiz Cláudio da. III. Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas (Brasil). IV. Vida e ficção: arte e fricção. V. Título.
terça-feira, 23 de outubro de 2012
A centralidade da cultura: notas sobre as revoluções culturais do nosso tempo
Este texto está originalmente disponível em http://www.gpef.fe.usp.br/teses/agenda_2011_02.pdf
A Centralidade Da Cultura
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
A Cultura Visual no Ensino de Arte Contemporâneo: singularidades no trabalho com as imagens
A Cultura Visual no Ensino de Arte Contemporâneo: singularidades no trabalho com as imagens
Erinaldo Alves do Nascimento
Originalmente publicado na edição nº42, julho de 2006, do Boletim Arte na Escola
( http://www.artenaescola.org.br/pesquise_artigos_texto.php?id_m=50)
Adaptação.
[...]
Estamos vivendo uma época de intensa proliferação do visual na qual se desenvolve, paulatina e continuamente, um processo de rechaçamento da “identidade como eu” e uma valorização da “identidade como nós”. Considero que o homo clausus [Expressa a compreensão de "homem no século XIX e início do Século XX para qual esse homem era fechado "fechado em si mesmo” ou possuía uma personalidade "fechada” Homo Clausus significa "homem fechado" ou "personalidade fechada" e era um entendimento de que o homem vivia independente das relações sociais e sua identidade era dada ao nascimento e não uma construção social, como compreendemos atualmente], cunhado por Norbert Elias como uma invenção da modernidade, esteja, aos poucos, sendo questionado, e é provável, caso essas propostas venham a ser efetivadas, que, no
lugar de um sujeito individualista, desponte um outro sujeito, mais aberto para, continuamente, questionar as interpretações sobre si, estranhando as noções familiares e os julgamentos sobre o outro, tentando tornar familiar o que parece ser estranho.
Em razão das condições de possibilidades mencionadas, que podem ser associadas a muitas outras, começa a repercutir, cada vez mais, as contribuições da cultura visual. No Congresso Internacional do INSEA (International Society for Education Trough Art), realizado em Viseu, Portugal, de 01 a 05 de maio de 2006, como registra o Boletim Arte na Escola, n. 41, a Cultura Visual foi o centro dos debates.
Por ser um campo de estudo e ensino ou, como prefiro chamar, uma perspectiva educacional em Artes Visuais ainda emergente – e considerando que não se preocupa em estabelecer fronteiras disciplinares e metodológicas – a cultura visual vem sendo alvo de várias interpretações, algumas delas contraditórias. Há, ainda,
muitas dúvidas sobre as distinções entre a cultura visual e outros referenciais de análise de imagens. O panorama fica mais complexo quando se sabe que há várias maneiras de interpretar a cultura visual. Faz-se necessário compreender que uma coisa é enxergar as imagens pertencendo à cultura visual de diferentes momentos históricos;
outra é trabalhar na educação formal e não-formal empregando tal perspectiva.
Alimento a suspeita que a cultura visual – sobretudo aquela que questiona as visualidades (o modo como vemos) e as imagens como portadoras de significados ou “suportes de verdades” – tem seu lastro em alguns dos princípios difundidos por Foucault [...].
[Autor que] preocupa-se com o conjunto de discursos efetivamente pronunciados em diferentes épocas, modalidades de gêneros e suportes textuais. A atenção está voltada para o modo como o discurso, em suas diferentes materializações, afeta nossa maneira de pensar, ver, dizer e fazer no presente.
A cultura visual, como o termo sugere, entende que as interpretações visuais têm uma cultura, as quais afetam tanto o processo de produção como o de recepção. As imagens são construídas a partir de um repertório cultural, forjado no passado, e que, no presente, fixam e disseminam modos de compreender historicamente construídos.
A seguir, alguns dos princípios extraídos da articulação entre a cultura visual e aperspectiva foucaultiana, com a finalidade de realçar as singularidades no modo de trabalhar com as imagens:
1 - O foco não é a biografia ou o sujeito como gênio – Foucault refuta o culto ao gênio e à personalidade do autor como origem autônoma e transcendental de um discurso. Ele compreende que os sujeitos são específicos e modelados por regras e convenções construídas historicamente. A cultura visual, seguindo tal perspectiva, não se centra nos(as) artistas ou em outros(as) profissionais produtores de imagens. A biografia só interessa quando ajuda a compreender as mudanças processadas na produção visual. A atenção se volta para
a produção visual em geral e como fixam e disseminam modos de ver, pensar, fazer e dizer. Se para Foucault o tema central é o discurso e a produção de sujeitos, pode-se afirmar que o foco principal da cultura visual é a visualidade, comumente entendida como interpretações visuais construídas historicamente pelos sujeitos em diferentes épocas. Trata-se dos regimes de enunciação visual ou os modos como
passamos a ver de determinada(s) maneira(s) e não de outra(s);
2 - Não hierarquiza a produção visual – a produção visual, quer seja a consagrada e encontrada em galerias e museus, ou a mais corriqueira, detectável em cartazes, revistas, jornais, outdoors, roupas, objetos, decorações, projetos arquitetônicos e sites, sofrem os efeitos do discurso vigente em cada época. A cultura visual não faz hierarquizações entre as chamadas “obras de arte” e outras
modalidades de produção visual. O interesse de quem trabalha com cultura visual está em como as imagens, independente de ser artística ou não, produzem e fixam modos historicamente construídos de ver, pensar, fazer e dizer. Em decorrência, o trabalho com as imagens na cultura visual é essencialmente comparativo, pois imagens, de diferentes épocas e contextos culturais, ajudam a demonstrar como
determinadas representações persistem no presente;
3 - Não recorre ao passado para fazer exibicionismos – a investigação do passado é útil para conhecer desde quando se passou a pensar, ver, fazer e dizer de um determinado modo e não de outro. Não pretende, como alude a metáfora de Nietzsche, que nos tornemos caranguejos: “olhando para trás e acabando por acreditar para trás”. É possível afirmar, transpondo o mesmo qualificativo atribuído
às pesquisas de Foucault, que a cultura visual recorre ao passado para fazer uma “história do presente”. Ela desconfia do passado e o usa para questionar o presente de modo a enxergar novas veredas em relação ao futuro imediato;
4 - Não separa teoria e prática – para Foucault, a prática não é entendida como uma aplicação da teoria, como uma conseqüência da teoria como campos estanques e compartimentados. Teoria e prática podem ser vistas como “as faces” de uma mesma moeda. A cultura visual, por conseguinte, também não separa teoria e prática por entender que o saber enseja um fazer e que o fazer desvela um saber;
5 - Não é essencialista e formalista – a cultura visual não se contenta com a análise da configuração dos elementos visuais como se tivessem verdades a serem extraídas ou identificadas. Não se satisfaz com descrições psicológicas ou gestálticas sobre o que se vê. O foco da cultura visual é a interpretação das interpretações. A cultura visual não procura extrair interpretações desconectadas de um sentido, mas
problematizar como tais interpretações tornaram-se e são capazes de serem depreendidas;
6 - Não é evolutiva e linear – embora a diferenciação entre passado e presente esteja presente, a cultura visual questiona o sistema de interpretação escatológica,milenar e idealista, cuja noção de continuidade, evolução e progresso busca desconstruir;
7 - Não comunga com qualquer concepção de educação e de
currículo – como a persistência do passado torna difícil pensar uma escola diferente, a cultura visual também pretende ser uma tentativa de reorganização do espaço, do tempo, da relação entre docentes e alunos e dos saberes a serem ensinados. Não entende o currículo como uma “grade curricular”, mas como qualquer lugar ou oportunidade na qual se constitui ou se transforma a experiência de si. O brincar no recreio, participar de assembléias, de festivais, assistir a filmes,
fazer visitas, ver imagens, tudo é visto como elementos integrantes do currículo;
8 - Não é condizente com qualquer procedimento educacional – ao usar o diálogo como elemento de criação e de questionamento, a cultura visual recorre, dentre outros procedimentos possíveis, aos projetos de trabalhos. São modos flexíveis e cooperativos de ensinar e aprender, cuja finalidade é questionar visões rígidas e inflexíveis da realidade;
9 - Não contradiz outros referenciais do ensino de Arte “pósmoderno” – a análise de imagens é o ponto de continuidade entre a abordagem triangular, o multiculturalismo e a cultura visual, que considero as principais propostas do chamado “ensino de arte pós-moderno” veiculados no Brasil. Não as
vejo como contraditórias, mas perspectivas diferentes de análises de imagens e concebidas para serem abertas e flexíveis.
Erinaldo Alves do Nascimento é Doutor em Artes (ECA-USP); Mestre em biblioteconomia (UFPB) e Graduado em Educação Artística (UFRN). Professor do Departamento de Artes Visuais (UFPB) e Assessor Pedagógico em Gestão Curricular da Secretaria de Educação, Cultura e Esportes da Prefeitura de João Pessoa.
E-mail: katiery@terra.com.br.
A partir desta leitura desenvolva a seguinte atividade e poste aqui neste blog
2) busque referências visuais (grafites, estamparias de tecido, murais, rótulos, capas de disco, revistas em quadrinhos e obras de arte hq's, etc) que apresentam diálogos interculturais que promovam uma reflexão crítica e poste aqui neste blog.
Erinaldo Alves do Nascimento
Originalmente publicado na edição nº42, julho de 2006, do Boletim Arte na Escola
( http://www.artenaescola.org.br/pesquise_artigos_texto.php?id_m=50)
Adaptação.
[...]
Estamos vivendo uma época de intensa proliferação do visual na qual se desenvolve, paulatina e continuamente, um processo de rechaçamento da “identidade como eu” e uma valorização da “identidade como nós”. Considero que o homo clausus [Expressa a compreensão de "homem no século XIX e início do Século XX para qual esse homem era fechado "fechado em si mesmo” ou possuía uma personalidade "fechada” Homo Clausus significa "homem fechado" ou "personalidade fechada" e era um entendimento de que o homem vivia independente das relações sociais e sua identidade era dada ao nascimento e não uma construção social, como compreendemos atualmente], cunhado por Norbert Elias como uma invenção da modernidade, esteja, aos poucos, sendo questionado, e é provável, caso essas propostas venham a ser efetivadas, que, no
lugar de um sujeito individualista, desponte um outro sujeito, mais aberto para, continuamente, questionar as interpretações sobre si, estranhando as noções familiares e os julgamentos sobre o outro, tentando tornar familiar o que parece ser estranho.
Em razão das condições de possibilidades mencionadas, que podem ser associadas a muitas outras, começa a repercutir, cada vez mais, as contribuições da cultura visual. No Congresso Internacional do INSEA (International Society for Education Trough Art), realizado em Viseu, Portugal, de 01 a 05 de maio de 2006, como registra o Boletim Arte na Escola, n. 41, a Cultura Visual foi o centro dos debates.
Por ser um campo de estudo e ensino ou, como prefiro chamar, uma perspectiva educacional em Artes Visuais ainda emergente – e considerando que não se preocupa em estabelecer fronteiras disciplinares e metodológicas – a cultura visual vem sendo alvo de várias interpretações, algumas delas contraditórias. Há, ainda,
muitas dúvidas sobre as distinções entre a cultura visual e outros referenciais de análise de imagens. O panorama fica mais complexo quando se sabe que há várias maneiras de interpretar a cultura visual. Faz-se necessário compreender que uma coisa é enxergar as imagens pertencendo à cultura visual de diferentes momentos históricos;
outra é trabalhar na educação formal e não-formal empregando tal perspectiva.
Alimento a suspeita que a cultura visual – sobretudo aquela que questiona as visualidades (o modo como vemos) e as imagens como portadoras de significados ou “suportes de verdades” – tem seu lastro em alguns dos princípios difundidos por Foucault [...].
[Autor que] preocupa-se com o conjunto de discursos efetivamente pronunciados em diferentes épocas, modalidades de gêneros e suportes textuais. A atenção está voltada para o modo como o discurso, em suas diferentes materializações, afeta nossa maneira de pensar, ver, dizer e fazer no presente.
A cultura visual, como o termo sugere, entende que as interpretações visuais têm uma cultura, as quais afetam tanto o processo de produção como o de recepção. As imagens são construídas a partir de um repertório cultural, forjado no passado, e que, no presente, fixam e disseminam modos de compreender historicamente construídos.
A seguir, alguns dos princípios extraídos da articulação entre a cultura visual e aperspectiva foucaultiana, com a finalidade de realçar as singularidades no modo de trabalhar com as imagens:
1 - O foco não é a biografia ou o sujeito como gênio – Foucault refuta o culto ao gênio e à personalidade do autor como origem autônoma e transcendental de um discurso. Ele compreende que os sujeitos são específicos e modelados por regras e convenções construídas historicamente. A cultura visual, seguindo tal perspectiva, não se centra nos(as) artistas ou em outros(as) profissionais produtores de imagens. A biografia só interessa quando ajuda a compreender as mudanças processadas na produção visual. A atenção se volta para
a produção visual em geral e como fixam e disseminam modos de ver, pensar, fazer e dizer. Se para Foucault o tema central é o discurso e a produção de sujeitos, pode-se afirmar que o foco principal da cultura visual é a visualidade, comumente entendida como interpretações visuais construídas historicamente pelos sujeitos em diferentes épocas. Trata-se dos regimes de enunciação visual ou os modos como
passamos a ver de determinada(s) maneira(s) e não de outra(s);
2 - Não hierarquiza a produção visual – a produção visual, quer seja a consagrada e encontrada em galerias e museus, ou a mais corriqueira, detectável em cartazes, revistas, jornais, outdoors, roupas, objetos, decorações, projetos arquitetônicos e sites, sofrem os efeitos do discurso vigente em cada época. A cultura visual não faz hierarquizações entre as chamadas “obras de arte” e outras
modalidades de produção visual. O interesse de quem trabalha com cultura visual está em como as imagens, independente de ser artística ou não, produzem e fixam modos historicamente construídos de ver, pensar, fazer e dizer. Em decorrência, o trabalho com as imagens na cultura visual é essencialmente comparativo, pois imagens, de diferentes épocas e contextos culturais, ajudam a demonstrar como
determinadas representações persistem no presente;
3 - Não recorre ao passado para fazer exibicionismos – a investigação do passado é útil para conhecer desde quando se passou a pensar, ver, fazer e dizer de um determinado modo e não de outro. Não pretende, como alude a metáfora de Nietzsche, que nos tornemos caranguejos: “olhando para trás e acabando por acreditar para trás”. É possível afirmar, transpondo o mesmo qualificativo atribuído
às pesquisas de Foucault, que a cultura visual recorre ao passado para fazer uma “história do presente”. Ela desconfia do passado e o usa para questionar o presente de modo a enxergar novas veredas em relação ao futuro imediato;
4 - Não separa teoria e prática – para Foucault, a prática não é entendida como uma aplicação da teoria, como uma conseqüência da teoria como campos estanques e compartimentados. Teoria e prática podem ser vistas como “as faces” de uma mesma moeda. A cultura visual, por conseguinte, também não separa teoria e prática por entender que o saber enseja um fazer e que o fazer desvela um saber;
5 - Não é essencialista e formalista – a cultura visual não se contenta com a análise da configuração dos elementos visuais como se tivessem verdades a serem extraídas ou identificadas. Não se satisfaz com descrições psicológicas ou gestálticas sobre o que se vê. O foco da cultura visual é a interpretação das interpretações. A cultura visual não procura extrair interpretações desconectadas de um sentido, mas
problematizar como tais interpretações tornaram-se e são capazes de serem depreendidas;
6 - Não é evolutiva e linear – embora a diferenciação entre passado e presente esteja presente, a cultura visual questiona o sistema de interpretação escatológica,milenar e idealista, cuja noção de continuidade, evolução e progresso busca desconstruir;
7 - Não comunga com qualquer concepção de educação e de
currículo – como a persistência do passado torna difícil pensar uma escola diferente, a cultura visual também pretende ser uma tentativa de reorganização do espaço, do tempo, da relação entre docentes e alunos e dos saberes a serem ensinados. Não entende o currículo como uma “grade curricular”, mas como qualquer lugar ou oportunidade na qual se constitui ou se transforma a experiência de si. O brincar no recreio, participar de assembléias, de festivais, assistir a filmes,
fazer visitas, ver imagens, tudo é visto como elementos integrantes do currículo;
8 - Não é condizente com qualquer procedimento educacional – ao usar o diálogo como elemento de criação e de questionamento, a cultura visual recorre, dentre outros procedimentos possíveis, aos projetos de trabalhos. São modos flexíveis e cooperativos de ensinar e aprender, cuja finalidade é questionar visões rígidas e inflexíveis da realidade;
9 - Não contradiz outros referenciais do ensino de Arte “pósmoderno” – a análise de imagens é o ponto de continuidade entre a abordagem triangular, o multiculturalismo e a cultura visual, que considero as principais propostas do chamado “ensino de arte pós-moderno” veiculados no Brasil. Não as
vejo como contraditórias, mas perspectivas diferentes de análises de imagens e concebidas para serem abertas e flexíveis.
Erinaldo Alves do Nascimento é Doutor em Artes (ECA-USP); Mestre em biblioteconomia (UFPB) e Graduado em Educação Artística (UFRN). Professor do Departamento de Artes Visuais (UFPB) e Assessor Pedagógico em Gestão Curricular da Secretaria de Educação, Cultura e Esportes da Prefeitura de João Pessoa.
E-mail: katiery@terra.com.br.
A partir desta leitura desenvolva a seguinte atividade e poste aqui neste blog
2) busque referências visuais (grafites, estamparias de tecido, murais, rótulos, capas de disco, revistas em quadrinhos e obras de arte hq's, etc) que apresentam diálogos interculturais que promovam uma reflexão crítica e poste aqui neste blog.
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
atividade orientada: fundindo culturas visuais
Takashi Murakami
"Takashi Murakami
(nascido em Tóquio) é um prolífico artista japonês contemporâneo cujo trabalho
abrange tanto a pintura quando as mídias digitais.
Licenciou-se pela
Universidade Nacional de Belas Artes e Música de Tóquio obtendo a graduação em
Nihonga (pintura tradicional japonesa). Entrou no mundo da arte contemporânea
em 1990 sob a tutela do artista Masato Nakamura. Em 1993 criou o seu alter ego
Mr. DOB. Começou então a ser reconhecido dentro e fora do Japão pela sua
particular síntese entre a arte tradicional e contemporânea japonesa e a arte
pop norte-americana.
Ele cunhou o
termo superflat, que descreve tanto a estética característica da tradição artística
japonesa e a natureza do pós-guerra a cultura e a sociedade japonesa.
Superflat também
é usado como um apelido para descrever o estilo de Murakami e de outros
artistas japoneses que ele influenciou.
Conta com muitas
exposições em variados locais de todo o mundo. Em maio de 2009 expôs no Museu
Guggenheim Bilbau mas a sua exposição mais famosa foi no Palácio de Versalhes.
A sua obra abarca múltiplas formas artísticas: o animé, pintura, escultura,
desenho industrial e moda.
Em 2009 a revista
TIME definiu-o como o mais influente representante da cultura japonesa
contemporânea.
Em 2011 a empresa
Google pediu a ele que fizesse um Google's Doodle para o solstício de inverno
no hemisfério sul" ( http://pt.wikipedia.org/wiki/Takashi_Murakami).
Algumas vezes Takashi Murakami é comparado como o novo Andy
Warhol como um novo ícone da cultura pop Norte Americana. Ele estudou pintura
tradicional japonesa e consegue fundir em seus trabalhos, sem nenhum
preconceito elementos da cultura popular e da cultura erudita.
Takashi Murakami mistura em seus trabalhos referencias da
cultura do consumo e desenvolve suas produções artísticas em dois ateliers diferentes um em
Tóquio e outro em Nova Iorque em unidades de produção em massa que ele denomina
de Factory (fábrica).
Diferente de Warhol que produzia seus
trabalhos de ironizando a baixa cultura, se apropriando dos elementos da
cultura pop e a deslocando para a alta cultura, Murakami se apropria da cultura
popular e dialoga com elementos da cultura tradicional, ironizando e
planificando ambas.
Alias
a separação entre alta baixa cultura faz parte de uma noção ocidental, pois no
oriente é tanto considerado arte uma suiboku-ga do século XVI (pintura
tradicional japonesa) quanto um bonsai, quanto o ato de fazer e servir um chá. Uma pintura japonesa do século XV fica lado a lado de um
jogo de xícaras ou um quimono.
Esse artista produz desde estamparias de tecidos, bonecos de pelúcia, vídeos, camisetas, embalagens e pinturas. Ele planeja produzir uma série de figurinhas de chiclete de bola que serão vendidas a 6 reais cada permitindo que muitas pessoas, interessadas em seu trabalho tenham a oportunidade de possuir um de suas obras.
Ao fazer isso o artista ironiza o mercado de arte e subverte os conceitos de autoria e autenticidade ao informar que em se tratando de arte contemporânea o artista é muitas vezes um agenciador de ideias, pois como disse Marcel Duchamp: A arte é, antes de tudo, produção de pensamento.
Exemplo quimono
Exemplo de suiboku-ga (pintura tradicional japonesa)
A partir desta leitura desenvolva a seguinte atividade e poste aqui neste blog
1) produza uma narrativa visual com imagens de Takashi Murakami e Andy Warhol e poste aqui neste blog.
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